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quinta-feira, 23 de junho de 2011

Tristeza ou ingtratidão?



Não sei por que minha tristeza... Minha vida não é ruim. Nunca me faltou nada. Era pra eu ser feliz, mas sou ingrata demais pra fazer isso... Não me sinto feliz. Mesmo com todas as mordomias... Viagens... Roupas e calçados novos, idas a restaurantes e pizzarias de vez em quando... Nunca faltou comida, sempre tive fartura, e mesmo assim tenho o atrevimento de não me sentir feliz. Não tenho muitos amigos. Sou quieta a ponto de ser invisível. Meus pais não param de reclamar de dividas, casa bagunçada, notas, cachorros, enfim, quase tudo que fazem é reclamar. Minha mãe tem um problema, um detestável e horrível problema, e por causa dele, acho que raramente é realmente feliz. Tirando essas coisas, não tenho motivos pra me entristecer... Mas me entristeço. Não só por mim, mas pelo mundo. Entristeço-me pelos meus poucos e sinceros amigos, me entristeço pela miséria, me entristeço pela corrupção, e se já não bastasse, me entristeço pelo futuro, meu e de toda a humanidade. Quero sempre ajudar meus amigos, quero sempre ajudar o mundo. Acabo ficando triste pelas pessoas alienadas que sequer ligam pra tudo isso. Fico triste porque as pessoas vivem em seus próprios mundos em tempo integral. Umas garotas que me tiram do sério, se quebram uma unha, surtam. Se o cabelo está oleoso ou cheio, surtam, se não conseguem ficar com um garoto em especial, surtam. E se falar pra elas do desastre do Japão, por exemplo, elas nem sabem do que se trata. Eu me entristeço por tudo e ao mesmo tempo por nada. Entristeço-me porque não consigo ser de outro jeito senão triste. Entristeço-me por mim, por ser uma pessoa ingrata e melancólica... Não importa isso, só importa que me sinto triste, agora e sempre.



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