Eu li o livro “memórias de um vira-lata” de um autor que não me lembro o nome =S e estava pensando, como é a vida de um cachorro? Assim, realmente? Confesso que discordei do livro, em alguns aspectos. Primeiro, o narrador (no caso, um vira-lata) diz que os cachorros de rua são ‘livres’ e se sentem bem com isso. Alguém já perguntou pro cachorro, faminto e sedento, cheio de sarna, sendo maltratado pelos seres humanos malévolos, se ele acha que a liberdade é tão boa assim? Porque, se eu fosse um cachorro, na situação em que esses cães estão, acho que entraria na frente de um caminhão e acabaria logo com o sofrimento. Eu sei que o autor só quis escrever sobre cachorros, pelo ponto de vista dele, e meio que fantasias, mas eu vou fazer uma narração que seria mais real:
“Sou um vira-lata. Passo todo meu dia procurando por comida nas latas de lixo, e, como me alimento de qualquer coisa, tenho muitos problemas estomacais que me causam desconforto e dor. Quando passo pelas lanchonetes, onde os humanos comem alimentos cheirosos e apetitosos, as vezes uma criança me joga um pedaço de seu sanduíche, só que seu pai vê e lhe dá uma bronca, e me espanta com gritos e ameaças. Já fui atropelado diversas vezes, por automóveis que nem sei de onde vieram. As vezes quando olho um cachorro com dono, passeando de coleira, vejo como o seu dono se preocupa com ele. Se eu chego perto para cumprimentá-lo, me espantam com pisões. Passo pelas casas e vejo os cachorros presos. Eles ladram alto para mim, e mesmo presos, sem liberdade, vejo que eles tem alimento, amor, uma cama macia e quente e humanos que lhe lavam e lhe tratam as doenças. As vezes eu gostaria de ser adotado. Já segui crianças simpáticas que me fizeram gracinhas, mas assim que chego em seus portões me batem a porta na cara. Não sei quanto tempo de vida me resta, mas sei que nem mesmo eu, um cão, mereço esse tipo de vida.”


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